10 PESQUISAS QUAEST PARA PRESIDENTE EM 10 ESTADOS CHAVE: LULA 52,3% X FLÁVIO BOLSONARO 47,7%
10 PESQUISAS QUAEST PARA PRESIDENTE EM 10 ESTADOS CHAVE: LULA 52,3% X FLÁVIO BOLSONARO 47,7%
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A leitura conjunta de dez pesquisas estaduais da Genial/Quaest divulgadas em julho de 2026 oferece uma fotografia particularmente relevante da disputa presidencial. Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo concentram aproximadamente 75,5% do eleitorado brasileiro. Somados, os levantamentos realizaram 11.646 entrevistas, permitindo construir um painel dos principais colégios eleitorais do país. Os estudos utilizaram entrevistas presenciais domiciliares e trabalharam com nível de confiança de 95%, conforme as especificações dos relatórios estaduais.
O primeiro achado é aparentemente paradoxal. Quando calculamos simplesmente a mediana das intenções de voto do primeiro turno, Lula e Flávio Bolsonaro chegam exatamente ao mesmo ponto: 30% para cada um. É uma demonstração de como a geografia eleitoral brasileira está polarizada. Lula alcança desempenhos muito superiores no Nordeste, enquanto Flávio cresce significativamente no Sul e em parte do Sudeste. Os levantamentos mostram, por exemplo, Lula com 52% na Bahia e 55% no Ceará; em sentido oposto, Flávio aparece com 42% no Paraná e 34% em São Paulo.
No segundo turno entre Lula e Flávio, o mapa fica ainda mais interessante. Lula lidera em cinco estados: Bahia, Ceará, Pernambuco, Pará e Minas Gerais. Flávio vence nos outros cinco: Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Portanto, territorialmente, o placar é rigorosamente 5 a 5.
Mas as diferenças dentro de cada estado são muito diferentes. Lula abre enormes vantagens no Nordeste: 60% a 23% no Ceará, 58% a 24% em Pernambuco e 56% a 23% na Bahia. Flávio consegue sua maior vantagem no Paraná, onde marca 50% contra 28%, e em Goiás, com 47% contra 35%. Já em São Paulo registra 40% contra 35%, resultado repetido no Rio Grande do Sul; no Rio de Janeiro, são 38% contra 35%.
A mediana das intenções de voto brutas do segundo turno aponta pequena vantagem de Flávio: 37,5% contra 36,5% de Lula. Quando retiramos indecisos, brancos e nulos e transformamos individualmente cada pesquisa em votos válidos, porém, a mediana produz um impressionante 50% a 50%.
É justamente aqui que entra o peso eleitoral de cada estado.
Ao ponderar os resultados em votos válidos pela participação aproximada de cada estado no eleitorado brasileiro, o equilíbrio desaparece. O agregado dos dez estados produz 52,3% dos votos válidos para Lula contra 47,7% para Flávio Bolsonaro, uma diferença de 4,6 pontos percentuais.
Uma segunda forma de cálculo — agregando primeiro as intenções brutas conforme o peso dos estados e somente depois convertendo o resultado para votos válidos — chega praticamente ao mesmo ponto: 52,5% contra 47,5%. A diferença de apenas duas décimas entre os métodos indica estabilidade matemática da estimativa.
O que explica essa mudança? A intensidade das vantagens. Flávio vence São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, mas por diferenças relativamente pequenas. Lula, em contrapartida, acumula vantagens gigantescas na Bahia, Ceará e Pernambuco. Assim, o Nordeste funciona como principal motor da vantagem agregada do presidente, enquanto o Sul constitui o bloco regional mais consistente de Flávio.
Minas Gerais merece atenção especial. Lula aparece com 38% contra 35% no confronto direto, configurando uma disputa muito mais equilibrada que nos estados nordestinos e reforçando o papel mineiro como possível estado-charneira da eleição.
A conclusão mais importante é metodológica. O empate da mediana não significa necessariamente empate eleitoral. A mediana responde à pergunta sobre qual é o resultado central entre os estados; a ponderação responde a outra: quanto cada resultado representa quando consideramos o tamanho diferente dos colégios eleitorais?
Por isso, 52,3% a 47,7% não deve ser apresentado como uma pesquisa nacional da Quaest nem como previsão do resultado da eleição. Trata-se de uma projeção estatística construída a partir das dez pesquisas estaduais e do peso aproximado de seus eleitorados. Os dez estados representam cerca de três quartos do eleitorado brasileiro, mas aproximadamente um quarto permanece fora deste painel.
Ainda assim, o exercício revela uma característica decisiva da eleição de 2026: a disputa pode estar territorialmente dividida, mas não necessariamente eleitoralmente empatada. Mais importante do que contar quantos estados vantagem Lula 4 cada candidato vence será observar onde vence, por quanto vence e quantos eleitores existem em cada um deles.
REGISTROS DAS PESQUISAS: BA — BR-05856/2026 e BA-02331/2026; CE — BR-03238/2026 e CE-09277/2026; GO — BR-08063/2026 e GO-01701/2026; MG — BR-09533/2026 e MG-03490/2026; PA — BR-06752/2026 e PA-04548/2026; PR — BR-03445/2026 e PR-04818/2026; PE — BR-03810/2026 e PE-09649/2026; RJ — BR-07670/2026 e RJ-02671/2026; RS — BR-01871/2026 e RS-04790/2026; SP — BR-09998/2026 e SP-04846/2026.
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